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Calor extremo exige cuidados redobrados de corredores durante o B-R-Ó Bró em Teresina

O calor intenso aumenta o desgaste durante o exercício e pode comprometer o rendimento.

Por Hérlon Moraes

O B-R-Ó Bró, como é conhecido o período mais quente do ano em Teresina, tem elevado ainda mais as temperaturas em 2026. Nesta quarta-feira, a capital piauiense chegou à marca de 45°C, cenário que exige atenção especial de quem mantém uma rotina de atividades físicas ao ar livre, principalmente os corredores, que formam uma comunidade numerosa na cidade.

O calor intenso aumenta o desgaste durante o exercício e pode comprometer o rendimento. Segundo o médico Gustavo Mello, especialista em Medicina do Exercício e Esporte, as altas temperaturas provocam aumento da frequência cardíaca e fazem o organismo trabalhar mais para controlar a temperatura corporal.

“Existe um maior desgaste, tanto muscular como cardíaco, porque a frequência cardíaca aumenta em temperaturas maiores. Isso prejudica o esforço e, para algumas pessoas, pode aumentar o risco cardiovascular”, alerta.

Para quem já está adaptado ao calor, o treinamento ainda pode ser mantido, mas com ajustes. O especialista recomenda priorizar horários em que as temperaturas estejam mais amenas. Em Teresina, ele chama atenção ainda para o calor acumulado pelo asfalto, que pode tornar a sensação térmica mais desconfortável no fim da tarde.

“O ideal é fazer o treinamento pela manhã cedinho. Outra opção é treinar na esteira nesse período mais quente e se adaptar para fazer parte dos treinos em ambiente controlado”, orienta.

A combinação de calor intenso e fumaça também merece atenção. Com a baixa umidade, o esforço físico já pode dificultar a respiração. Quando há presença de fumaça no ar, o impacto sobre o sistema respiratório pode ser ainda maior.

Médico Gustavo Mello, especialista em Medicina do Exercício e Esporte


“O treinamento no calor já aumenta a frequência cardíaca e dificulta a respiração em baixa umidade. Quando você adiciona a fumaça, aumenta a chance de desenvolver doenças respiratórias. Em treinos mais longos e intensos, a imunidade pode cair e, treinando no calor e com fumaça, a pessoa tem um prejuízo pulmonar e respiratório maior”, explica Gustavo Mello.

Entre as consequências estão o aumento da vulnerabilidade a gripes e resfriados e a possibilidade de piora dos sintomas em pessoas com predisposição a crises asmáticas.

Para os corredores que não querem interromper completamente a rotina, a orientação é adaptar o treinamento às condições climáticas. A esteira pode ser uma alternativa nos dias mais quentes e, para quem optar pela rua, a recomendação é priorizar os horários de madrugada, quando a umidade tende a ser mais favorável do que no fim da tarde.

Outra medida importante é reforçar a hidratação e reduzir a cobrança por desempenho. Em temperaturas elevadas, o ritmo naturalmente tende a cair e o exercício pode parecer mais difícil, mesmo quando o esforço realizado é semelhante ao de dias mais amenos.

“Não é que você necessariamente esteja rendendo menos. É que a frequência cardíaca sobe para fazer essa troca de calor. Por isso, em treinos mais quentes, a percepção de esforço será maior”, explica o médico.

Com temperaturas que já chegaram aos 45°C, o recado para quem corre em Teresina é simples: durante o Bró-Bró, adaptar o treino também faz parte do treinamento.

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