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Professor, transplantado e agora maratonista: piauiense completa 42 km em Aracaju

Jeferson Luís Lacerda Probo realizou o sonho 6 anos após receber uma nova chance de vida

Por Hérlon Moraes

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Aos 42,195 quilômetros de uma maratona estão histórias de superação, resistência e persistência. Para o piauiense Jeferson Luís Lacerda Probo, professor e atleta transplantado de fígado, completar a Maratona de Aracaju, no último domingo (1º), representou muito mais do que cruzar uma linha de chegada. Foi a celebração de uma nova vida, iniciada em novembro de 2019, quando recebeu um transplante de fígado.

Jeferson enfrentou uma grave doença hepática, em um contexto de hemocromatose hereditária e histórico de obesidade mórbida. O transplante foi necessário para salvar sua vida. O órgão veio da doação autorizada por uma família que, mesmo diante da dor da perda de um ente querido, decidiu permitir que outras pessoas tivessem uma nova oportunidade.

A partir dali, começou uma jornada de reconstrução. Em 2020, Jeferson deu os primeiros passos nas corridas de rua. Depois, aprendeu a nadar já na idade adulta e, em 2022, tornou-se o primeiro piauiense transplantado a se tornar triatleta.

A trajetória no esporte também ganhou projeção internacional. Em 2023, representou o Brasil nos Jogos Mundiais para Transplantados, realizados em Perth, na Austrália, onde conquistou o 8º lugar no triathlon e o 11º no ciclismo.

Agora, seis anos depois do transplante, veio um dos maiores desafios de sua trajetória: completar os 42,195 quilômetros da Maratona de Aracaju. Foram quilômetros de corrida, caminhada, oração, lágrimas e gratidão.

“Corri, caminhei, rezei, chorei e agradeci. A prova doeu muito, mas cada quilômetro me lembrava da oportunidade extraordinária que recebi”, relata.

Atleta mostra orgulhoso a medalha após cruzar a linha de chegada

Durante o percurso, Jeferson também encontrou uma oportunidade de levar adiante uma causa que abraça dentro e fora das competições. Algumas pessoas declararam ser doadoras de órgãos, enquanto outras demonstraram interesse em saber como poderiam se tornar doadoras. Para ele, aquele momento mostrou que sua conquista poderia ajudar a conscientizar e, quem sabe, salvar outras vidas.

Além de professor e atleta, Jeferson é um dos fundadores da Liga Brasileira de Atletas Transplantados, associação que trabalha para incentivar a doação de órgãos e mostrar às pessoas transplantadas as possibilidades de uma vida ativa por meio do esporte.

Ele destaca, porém, que a prática esportiva após um transplante exige disciplina, acompanhamento médico e cuidados permanentes, respeitando as condições e os limites de cada pessoa.

E os desafios estão longe de terminar. O próximo objetivo é a Maratona do Rio, em 2027. Jeferson também sonha em voltar a representar o Brasil nos Jogos Mundiais para Transplantados, que serão realizados na Bélgica, em agosto do mesmo ano.

Ao olhar para a medalha conquistada em Aracaju, o piauiense enxerga algo que vai muito além do resultado esportivo. É o símbolo da generosidade de uma família, do trabalho dos profissionais de saúde e do apoio da esposa e dos filhos durante toda a caminhada.

Seis anos depois de receber um novo fígado, Jeferson completou uma maratona. Uma história que mostra como a doação de órgãos pode abrir caminhos para novos sonhos e conquistas.

“Eu recebi uma nova chance. E decidi fazer cada quilômetro valer a pena. A doação de órgãos salva vidas. Eu sou uma delas.”

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